Desmistificando a IA: Como preparar estudantes da EJA para o futuro digital (sem medo da tecnologia)
- Tiago Primo
- 18 de fev.
- 3 min de leitura

Você já parou para pensar que a Inteligência Artificial (IA) está mudando o mercado de trabalho, mas nem todo mundo tem as mesmas oportunidades de entender como ela funciona?
Na Educação de Jovens e Adultos (EJA), o desafio é duplo: combater a evasão escolar e garantir que esses estudantes não fiquem para trás na era digital. Uma nova pesquisa mostra que é possível ensinar IA de forma ética, prática e conectada à realidade profissional, usando desde computadores modernos até... papel e caneta!
Confira como essa iniciativa está transformando a sala de aula.
📋 Ficha Técnica
Autor: Thomas Lucas Irigoite Barroco
Orientador: Prof. Dr. Tiago Thompsen Primo
Coorientadora: Profa. Dra. Fabiana Zaffalon Ferreira
Instituição: Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
🧐 O Contexto (O Problema)
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é essencial para a inclusão social no Brasil, mas enfrenta currículos muitas vezes desatualizados e falta de acesso tecnológico. Enquanto a IA avança rapidamente, muitos desses alunos correm o risco de sofrerem com a exclusão digital. O grande desafio era: como criar um ensino de IA que fosse acessível, fugisse do tecnicismo frio e fizesse sentido para a vida de trabalhadores que já enfrentam jornadas duplas?.
🛠️ O Que Foi Feito
O pesquisador desenvolveu e aplicou um currículo inovador de Letramento em IA com alunos do curso técnico em Edificações do IFSul. A estratégia foi genial pela sua flexibilidade, misturando duas abordagens:
Atividades Desplugadas: Para garantir que todos pudessem participar, independentemente da familiaridade com tecnologia, foram usadas simulações manuais. Imagine aprender como uma rede neural funciona usando apenas cartões de frutas ou criando fluxogramas em papel!.
Atividades Plugadas: Quando possível, a tecnologia entrou em cena. Os alunos usaram ferramentas visuais como o Scratch (programação em blocos), Teachable Machine (para treinar modelos de reconhecimento de imagem) e até o ChatGPT para auxiliar em tarefas profissionais.
Foco na Realidade: Nada de exemplos abstratos. As aulas conectaram a IA à construção civil, como o uso de algoritmos para prever rachaduras em concreto ou otimizar cronogramas de obras.
💡 A Grande Descoberta (O Pulo do Gato)
O resultado mais surpreendente foi que não é preciso ser um expert em matemática para entender a lógica da IA. A pesquisa revelou que:
Desmistificação da "Caixa Preta": Os alunos que fizeram o curso tiveram um salto de compreensão, conseguindo diferenciar claramente o que é Inteligência Artificial do que é Machine Learning — algo que muitos profissionais ainda confundem!.
Engajamento pela Utilidade: O interesse explodiu quando os alunos perceberam que a IA podia resolver problemas reais do trabalho deles, como evitar desperdício de materiais na obra.
Consciência Ética: Mais do que apertar botões, os estudantes desenvolveram um olhar crítico. Eles passaram a debater viés algorítmico e privacidade, entendendo que a tecnologia não é neutra e precisa ser fiscalizada.
A combinação de atividades manuais (para entender a lógica) com ferramentas digitais (para ver a mágica acontecer) provou ser o método ideal para inclusão.
🚀 O Futuro da Pesquisa
Este trabalho abre portas para um ensino mais democrático no Brasil. Os próximos passos sugeridos são:
Expansão para outras áreas: Adaptar esse currículo para outros cursos profissionalizantes e modalidades de ensino.
Materiais Autônomos: Criar kits didáticos interativos que permitam aos alunos estudar de forma independente, respeitando o tempo escasso de quem trabalha e estuda.
Parcerias Estratégicas: Levar essa metodologia para instituições públicas e privadas em larga escala, garantindo que a alfabetização em IA seja um direito de todos, não um privilégio.
Gostou de saber como a educação pode transformar a relação com a tecnologia? Compartilhe este post e ajude a divulgar a ciência brasileira!




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