Como a escola pública está formando os "programadores do futuro" (mesmo sem professores de informática)
- Tiago Primo
- 16 de jun.
- 3 min de leitura
Metadados do Estudo
Título Original da Tese: Metodologia MERCI: uma proposta para formação em Computação voltada para professores da Educação Básica.
Autora: Cris Elena Padilha da Silva.
Orientador: Prof. Dr. Tiago Thompsen Primo.

🎣 O Gancho: O desafio de ensinar o que não se aprendeu
A educação brasileira está diante de um desafio imenso. As novas diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) exigem que a Computação seja ensinada em todas as escolas de Educação Básica a partir de 2026. O objetivo é excelente: preparar nossas crianças para o futuro digital.
No entanto, há um obstáculo real: grande parte dos professores das redes públicas nunca teve contato com a Ciência da Computação em sua formação profissional. Além disso, muitas escolas enfrentam falta de infraestrutura e internet de qualidade. Como, então, exigir que um professor de Matemática, Artes ou Pedagogia ensine robótica e programação do zero? Foi para preencher essa lacuna que a Metodologia MERCI foi criada.
💡 O que descobrimos: Um método prático que transforma o professor
A pesquisa desenvolveu e testou a Metodologia MERCI, um modelo de treinamento passo a passo focado em preparar professores de diversas disciplinas para liderarem Clubes de Robótica e Computação Criativa (CRCC) dentro de escolas públicas.
Aplicado na rede municipal de Pelotas (RS) ao longo de um ano, o estudo revelou evidências impactantes sobre como capacitar educadores de forma eficiente:
A virada de confiança: Antes do treinamento, a maioria dos 18 professores selecionados não se sentia confortável para ensinar tecnologia. Após a formação prática, 100% dos educadores relataram estar totalmente confortáveis para liderar atividades de robótica e programação.
Apoio na palma da mão: O sucesso do método se baseou em não deixar o professor sozinho. Foram entregues um e-book com o passo a passo de como montar um clube, kits físicos de componentes eletrônicos (como Arduino e sucata) e, crucialmente, uma rede de apoio constante via WhatsApp para tirar dúvidas rápidas.
Engajamento absoluto dos alunos: A resposta dos estudantes foi surpreendente. 100% dos alunos que responderam à pesquisa afirmaram ter alto interesse nas atividades e disseram que os clubes deveriam fazer parte das disciplinas obrigatórias.
Melhora nas outras matérias: Aprender programação não ajudou apenas na tecnologia. A maioria dos professores notou que os alunos melhoraram o desempenho em outras disciplinas tradicionais, como a Matemática, devido ao estímulo do raciocínio lógico e da resolução de problemas.
A tecnologia conectando pessoas: O impacto não foi apenas cognitivo, mas social. Impressionantes 94% dos estudantes relataram que o clube de robótica ajudou a fazer novos amigos, promovendo um ambiente de colaboração, empatia e inclusão.
🚀 Por que isso importa: Inovação escalável e combate à evasão escolar
O impacto prático dessa tese é mostrar que não precisamos esperar um cenário "perfeito" para inovar na educação pública. A pesquisa comprova que, com uma metodologia bem estruturada e acolhedora, é possível transformar professores de qualquer área em multiplicadores do conhecimento digital.
Para a sociedade, isso significa um modelo replicável e de baixo custo que pode ser adotado por municípios em todo o Brasil. Ao usar uma abordagem "mão na massa" e criativa, a escola resgata o interesse dos estudantes, promove o sentimento de pertencimento (ajudando a combater a evasão escolar) e abre as portas para que alunos de escolas públicas também possam sonhar com carreiras nas áreas de ciência e tecnologia (STEAM).




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