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Clubes de Computação Criativa

Clubes de Computação Criativa: computação, robótica e aprendizagem criativa na escola pública

A iniciativa começou em Pelotas, onde o CrIE/UFPel atua ao lado da Secretaria Municipal de Educação, e hoje também forma professores em outras regiões do país.

Sobre o projeto

Os Clubes de Computação Criativa são espaços de aprendizagem que funcionam no contraturno das escolas públicas e são conduzidos por professores da própria rede. Neles, os estudantes programam, montam robôs e desenvolvem projetos maker. O trabalho segue os três eixos do complemento de Computação da BNCC: Pensamento Computacional, Mundo Digital e Cultura Digital. Os clubes também buscam desenvolver motivação, senso de pertencimento e competências socioemocionais.

A proposta pedagógica se apoia no construcionismo de Papert, na Aprendizagem Criativa de Resnick (os "4 Ps": projetos, paixão, pares e pensar brincando) e no pensamento computacional de Wing. Na prática, os clubes usam tecnologias de baixo custo, como sucata eletrônica, circuitos de papelão, Scratch, micro:bit e Arduino. O professor não precisa saber computação ou robótica para participar. O eixo central do programa é justamente a formação continuada desses docentes.

Como funciona

  • Formação: a secretaria de educação e a equipe do programa selecionam, em conjunto, professores interessados. Esses professores recebem formação, mentoria, suporte técnico e kits de materiais.

  • Ciclo anual: são 77 horas de formação híbrida por ano. O ciclo combina quatro Jornadas Pedagógicas presenciais (fundamentos e BNCC, seminários de práticas, design de atividades e encerramento com premiação), encontros virtuais sobre cada eixo e o desenvolvimento, entre os encontros, de projetos com os alunos.

  • Acompanhamento: o programa aplica questionários de percepção e impacto, pede relatórios aos professores e organiza as atividades criadas em um "Canvas Pedagógico", que depois vira material compartilhável.

  • Culminância: os projetos são apresentados em mostras públicas. A principal delas é o Robopel, onde boa parte do que as escolas municipais apresentam nasceu nos clubes.

Histórico

  • 2015 — Origem. O grupo CoCTec, da UFPel, começou a formar professores das redes municipal e estadual em programação em blocos e robótica educacional. A partir dessa experiência, os clubes passaram a ser organizados em parceria entre o CoCTec, a Secretaria de Educação, o CETEP e o Núcleo Pelotas da Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa. Tiago Primo e Kelen Bernardi estavam entre os organizadores.

  • 2016 — Primeiros clubes. Um curso semipresencial de pensamento computacional reuniu 43 professores, e cinco deles abriram clubes em suas escolas.

  • 2018 — Rede em cinco escolas. Os clubes funcionavam em cinco escolas municipais: Santa Teresinha, Luiz Augusto Assumpção, Colégio Municipal Pelotense, Nestor E. Crochemore e Wilson Müller. Também começavam a ser implantados em uma escola rural multisseriada de São Lourenço do Sul. A rede de clubes inspirou o Scratch Day Pelotas e esteve na primeira edição do Robopel.

  • 2019 — Reconhecimento e kits. O projeto foi selecionado pelo Desafio Aprendizagem Criativa Brasil. Como parte do desafio, seus idealizadores visitaram o Lifelong Kindergarten do MIT Media Lab e se reuniram com Mitchel Resnick. No mesmo ano, a Prefeitura destinou 80 kits de micro:bit às escolas no Robopel 207 e, depois, entregou complementos de robótica às sete escolas que tinham clubes.

  • 2020–2021 — Formação a distância. Durante a pandemia, as formações de professores passaram a ser feitas em encontros virtuais curtos sobre aprendizagem criativa.

  • 2022 — Criar-Lab. O Laboratório de Criatividade e Inovação (Criar-Lab), no Pelotas Parque Tecnológico, foi inaugurado oficialmente em outubro. Na ocasião, estudantes dos clubes de duas escolas municipais participaram de oficinas coordenadas pela SME/CETEP com a Elimu Social.

  • 2023 — 21 escolas. O projeto, então chamado Clubes de Robótica e Computação Criativa e coordenado pelo CETEP, chegou a 21 escolas municipais e cerca de 400 estudantes do Ensino Fundamental. A rede recebeu 20 novos kits de robótica.

  • 2024 — Sistematização. Os professores da rede registraram suas práticas no livro Computação e Educação: Uma Coletânea de Atividades de Professor para Professor, organizado por Cris Elena Padilha, Letícia Fonseca e Tiago Primo. A metodologia de formação já havia sido levada a 15 municípios gaúchos.

  • 2025 — Expansão para Alagoas. Pelo programa Jornada da Equidade, do NEES/UFAL, os Clubes chegaram a Girau do Ponciano (AL). O programa atende as 30 escolas da rede municipal, com um núcleo de 17 professores. A secretaria local ganhou um espaço maker, e o currículo municipal de Computação foi construído em conjunto com os professores para entrar em vigor em 2026.

  • 2026 — Hoje. Em Pelotas, 16 escolas municipais mantêm os clubes como atividade extracurricular. Os projetos dessas escolas foram destaque entre os expositores da rede pública no Robopel 214.

A cooperação

  • UFPel: o CoCTec, deu início ao projeto. O CrIE, liderado pelo Prof. Tiago Thompsen Primo, responde pela coordenação acadêmica, pela pesquisa sobre o impacto dos clubes e pelos instrumentos de avaliação.

  • SME/CETEP Pelotas: coordena os clubes na rede municipal e oferece a formação continuada aos professores.

  • Elimu Social: conduz a formação em aprendizagem criativa e as oficinas no Criar-Lab, com a Profa. Kelen Bernardi.

  • Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa (Núcleo Pelotas) e Pelotas Parque Tecnológico: participam da articulação da rede, cedem espaços e realizam o Robopel.

  • NEES/UFAL: leva o programa a outras redes de ensino, com foco em equidade.

Para o CrIE, os Clubes funcionam como um laboratório vivo de implementação da BNCC Computação. Neles, o grupo pesquisa formação docente, mede competências digitais e testa kits de baixo custo, em um modelo de três frentes: o CrIE na pesquisa, a Elimu na formação e o NEES na disseminação.

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